Bisfenol A - O vilão dos plásticos!



O bisfenol A (BPA) é um composto químico utilizado na fabricação de plásticos e no revestimento de latas de alumínio.

Para os seres vivos a substância é altamente tóxica – segundo
Marco Antonio Stephano, Profº Doutor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, quando ingerida ela se mistura ao sangue e passa a se comportar como um hormônio do próprio organismo, causando disfunções graves no metabolismo.

Segundo estudos realizados pela Universidade de Nova York (Estados Unidos), a exposição frequente ao bisfenol A pode estar relacionada a um maior risco de doenças renais e cardíacas em crianças.

Os pesquisadores analisaram os dados de 710 crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos. A alta concentração, encontrada na urina dos jovens, de BPA e de uma proteína chamada albumina (que se acumula quando os rins estão danificados) pode causar doenças renais precoces e um maior risco de problemas cardíacos ao longo da vida.

Mas, os riscos com o BPA não param por aí. Ele também pode causar alterações no funcionamento da tiroide, obesidade, alterações neurológicas como hiperatividade, câncer de mama, aborto, prematuridade e restrição de crescimento intrauterino.

Os plásticos policarbonatos (rígidos e transparentes) a base de bisfenol A são frequentemente usados pela indústria por serem fáceis de moldar, e também por serem resistentes ao calor e ao impacto.

Podemos encontrar esse tipo de composto químico em produtos como mamadeiras, pratos, talheres, garrafas do tipo squeeze, garrafões de água de 5L, cd’s, armações e lentes de óculos, tintas, revestimentos para latas de comida e bebida.

Apesar de ainda não estar determinado qual nível de exposição poderia ser considerado como seguro, já se sabe que as pessoas mais vulneráveis a ela são as mulheres grávidas, bebês e crianças no início de seu desenvolvimento.

Por conta dos danos à saúde causados pelo BPA (e outros contaminantes), milhares de defensores de saúde do mundo, ativistas ambientais e grupos em prol do aleitamento materno estão pedindo a eliminação dessa substância do processo de produção das indústrias. Em alguns países da Europa, como França e Dinamarca, ele já foi banido.

No Brasil, a cidade de Piracicaba (interior do estado de São Paulo) foi a primeira a aprovar uma lei municipal que proíbe a comercialização de mamadeiras, chupetas, alimentos e bebidas que contenham o composto químico bisfenol A. Já em Brasília tramita um Projeto de Lei, na Câmara dos Deputados, que propõe a proibição do bisfenol A em mamadeiras e embalagens de alimentos em todo o território brasileiro.

Como ocorre a contaminação?

Quando o bisfenol A - que está presente no plástico – se decompõe (pois as ligações químicas entre suas moléculas são instáveis) ele acaba contaminando o alimento. Caso o plástico passe pelo processo de aquecimento (através do micro-ondas ou de líquidos quentes) a situação se agrava, pois o nível de contaminação é ainda maior.



Dicas para evitar o bisfenol A:


  • Evite usar recipientes plásticos, principalmente para aquecer alimentos no micro-ondas;

  • Prefira usar recipientes de vidro, porcelana ou aço inoxidável;

  • Antes de comprar qualquer embalagem de alimento, verificar se existe a presença de BPA no revestimento, pois ele pode contaminar o alimento;

  • Procurar no fundo dos recipientes plásticos o símbolo de reciclável e verificar a numeração que o acompanha. Caso essa numeração seja 3, 6 ou 7 o nível de toxicidade é maior;

  • Os produtos para os bebês devem ser isentos de BPA;

  • Respeitar a data de validade dos produtos é essencial, principalmente nos casos de água, refrigerante, molho de tomate, loção, sabonete líquido, entre outros.


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