Retinopatia da Prematuridade

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Por: Joyce Trajano

(matéria sugerida por nossa amiga Luciana F. Baurich)

É uma doença praticamente desconhecida pelos pais, e devido sua gravidade precisa ser mais difundida entre todos. A retinopatia da prematuridade é uma das principais causas de cegueira tratável na infância. E, a porcentagem de cegueira causada por ela é influenciada pela qualidade dos cuidados neonatais recebidos pelo prematuro.
Trata-se de uma alteração no crescimento da retina dos bebês (os vasos sanguíneos crescem de maneira desorganizada), e está indiretamente ligada à idade gestacional e ao peso do recém-nascido. Ela pode causar a cegueira ou deixar sequelas visuais graves. Quanto mais prematuro for o bebê e menor for o seu peso, maior a probabilidade de ocorrer essa alteração na retina.
Questões como hipóxia (baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos), hiperóxia (alta concentração de oxigênio nos tecidos orgânicos), transfusão de sangue ou a aquisição de infecções podem aumentar a possibilidade do desenvolvimento da doença.
Os pais de prematuros que nascem com 1.600 gramas ou menos, e com idade gestacional abaixo de 36 semanas, precisam ficar alertas com a presença da retinopatia nos bebês. É fundamental que os pais levem seus filhos para um exame oftalmológico mais detalhado.
A primeira providência seria realizar o primeiro exame na 32ª semana gestacional (em crianças nascidas com menos de 32 semanas), antes desse tempo os meios estão muito transparentes. Na verdade, os riscos de necessidade de tratamento se iniciam – geralmente – na 38ª semana de gestação.
Na maioria dos casos, há uma regressão natural da ROP. Mas, o prematuro deve ter acompanhamento oftalmológico adequado devido ao risco de desenvolvimento de outros problemas, como estrabismo, diferenças de grau entre os olhos e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
O problema é que, no Brasil, há poucos oftalmologistas atuando nessa área. Mas, as unidades neonatais já reconhecem a necessidade de um profissional especializado para o atendimento emergencial nas crianças de alto risco.

Estágios da doença:



Estágio 1:
Surgimento de uma linha branca e plana que separa a retina vascular da avascular (área que está se desenvolvendo, onde os vasos retinianos ainda não atingiram);
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Estágio 2:
Aparece uma crista elevada entre a retina vascular e avascular (ou seja, a linha demarcatória vai aumentando e tornando-se uma prega);
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Estágio 3:
Proliferação fibrovascular a partir da crista elevada (inclui a neovascularização e/ou a formação de vasos extra-retinianos – significa que a doença está ativa, em progressão);
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Estágio 4:
Descolamento de retina parcial (este estágio se divide em: mácula colada e mácula descolada). Na maioria dos casos as alterações regridem espontaneamente, por isso é sempre importante medir a acuidade visual dos recém-nascidos;
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Estágio 5:
Descolamento total de retina.

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Tratamento

Na maioria dos casos a regressão da doença é natural. Entretanto, as crianças que apresentam o estágio 3 precisam fazer o tratamento com crioterapia (técnica terapêutica na qual é aplicado, neste caso, gelo seco na esclera – o branco do olho -, este procedimento estaciona a progressão da doença) ou laser (é aplicado dentro do olho, assim chega mais facilmente nas zonas internas do órgão). As duas opções de tratamento são eficazes. O mais importante é conseguir identificar o mais rápido possível qual criança precisa do tratamento.
Para as crianças que já atingiram os estágios 4 e 5, o mais indicado é a retinopexia que consiste em uma cirurgia delicada de recolocação da retina descolada no lugar original. Porém, este procedimento compromete gravemente o prognóstico visual da criança.
As crianças que passam pela retinopexia precisam ser encaminhadas o mais rápido possível para o setor de baixa visão ou visão subnormal, para que seja iniciada a estimulação visual precoce. O acompanhamento da família é fundamental, e o cumprimento dos retornos é essencial para o sucesso do tratamento.
Lembrando que as crianças que apresentam a regressão natural da doença precisam fazer o acompanhamento anual com o oftalmologista.
Fonte: http://www.oftalmopediatria.com.br


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