Não à há culpa!

culpa

Por: Joyce Trajano


Uma pequena reflexão sobre o ato de ser mãe



Ser mãe é um ato de doação e entrega total. A maternidade é o maior ato de realização de toda mulher. Ser mãe é padecer no paraíso.

Ops... as coisas não são bem assim. Precisamos fazer uma pequena reflexão sobre o tema.

Tirando todos os rótulos, fantasias e mitos em torno da palavra MÃE, o que sobra é um ser humano comum. Sem superpoderes... sem magias...Embaixo dessa vestimenta existe alguém com defeitos, qualidades e manias. Com muita boa vontade e amor, mas que só vai descobrir o que é ser mãe quando estiver com seu bebê nos braços - no dia-a-dia - enfrentando todos os contratempos e driblando todas as dificuldades.

Não existe um manual de como ser mãe, ninguém além dos nossos próprios filhos nos ensinam a como ser mãe. O aprendizado é prático... Sem teorias!

Por isso, precisamos derrubar os mitos, reconhecer nossas fraquezas e dificuldades. Não precisamos ter medo de admitir que não sabemos tudo e que precisamos de ajuda. Esse, com certeza, já é um bom começo para alcançarmos o sucesso.

Outro mito que precisa ser derrubado: “a realização de toda mulher é ser mãe”. Pera lá... nem toda mulher tem o desejo de ser mãe e isso não é crime, pecado ou defeito. Simplesmente não existe a vontade e nem a paciência (sim, porque ser mãe requer muita paciência) para exercer o cargo. A sociedade precisa deixar a hipocrisia de lado. Precisa assumir de uma vez por todas que é melhor uma mulher ter a coragem de admitir que não deseja ser mãe, do que ter o filho e deixá-lo jogado pelos cantos do mundo, ou mesmo abandoná-lo em lixeiras... caçambas...lagoas, como tantos casos já vistos nos noticiários.

“Ser mãe é padecer no paraíso” é outro dito popular que me incomoda deveras... Há controvérsias nessa afirmação. Vamos lá:

    Não creio que maternidade seja isso. Ela exige compromisso e dedicação, mas não sofrimento. Tenho dificuldade em assimilar sofrimento com maternidade, por mais dificuldades ou obstáculos que possamos ter.

    Ser mãe exige certa dose de paciência, compromisso e dedicação. A elasticidade da paciência nós ganhamos com o tempo, mas isso não significa que devemos suportar tudo de todos. Antes de qualquer coisa somos humanas e temos limite. Por isso, não precisamos sentir culpa quando a paciência acaba e resolvemos colocar os ponteiros nos seus devidos lugares.

    Já compromisso e dedicação andam juntos, a meu ver. A partir do momento que damos à luz a outro ser, temos o compromisso de educá-lo e prepará-lo para o mundo.

    Educar exige dedicação. Essa responsabilidade não pode ser delegada a terceiros. Somos nós, mães (e pais) que devemos mostrar o que é certo e errado, o justo e o injusto, ensinar a lutar contra o preconceito e a intolerância, mostrar o que é equilíbrio e disciplina.

    Precisamos lembrar que nós somos a base dos pequeninos, e toda base deve ser sólida e forte para que a construção não desmorone.

    É inadmissível que uma mãe (ou pai) diga que não sabe mais o que fazer com seu filho. Ele é uma criança e precisa de regras. Acreditem, nossos filhos pedem por limites, eles precisam saber até que ponto podem ir, quando devem parar. E esta é a função das mães (e dos pais).

    Pois é... educar dá trabalho sim! Repetir milhares de vezes a mesma coisa, para que a criança possa compreender o significado e a importância daquilo que está sendo dito. Repreender quando os erros são cometidos. Fazer refletir sobre seus atos e as consequências deles, além de privá-la de certos confortos e regalias para que perceba a gravidade de suas atitudes: ficar sem videogame, computador, celular, TV, etc. não é nenhum pecado e não mata ninguém. Concordo que não é uma tarefa simples ou fácil, mas, por favor, não sintam culpa por isso.

    Que me desculpem todos os psicólogos, terapeutas e teóricos, mas educação vem de casa
    sim, e mostrar limites é essencial para a formação do ser, além de ser responsabilidade dos pais. Por conta dessas teorias de não diga “não” ao seu filho porque traumatiza, que nossas crianças (adolescentes e jovens) estão perdidas, mimadas e déspotas.

    Crianças (e adolescentes também) precisam de atenção, afeto, conversa e parceria. Por essa razão, não entupa seu filho de presentes caso você trabalhe demais e não tenha tanto tempo para ficar com ele. Não ofereça algo em troca caso ele se comporte bem na escola, no curso, na casa dos avós, na casa de amigos, nos lugares que vocês costumam frequentar ou por respeitar a babá (seja qual for sua realidade). Isso não dá o suporte que ele precisa. Na verdade, você está “comprando” seu filho. Além disso, saber se comportar e cumprir com suas tarefas faz parte dos deveres dele (sim, as crianças também têm deveres) que precisam ser ensinados por você.

    Por menor que seja sua disponibilidade, ofereça qualidade de tempo. Isso faz toda a diferença! E não sinta culpa por, às vezes, perder paciência (lembre-se somos humanas), por impor limites, pelas sanções dadas, enfim por educar. Pense em que tipo de ser humano você deseja que seu filho se transforme.



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