Gravidez na adolescência

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Por: Joyce Trajano



A adolescência é um período conturbado e de muitas transformações para os jovens, principalmente para as meninas. Não raro, elas entram em “crise” por conta das mudanças que ocorrem no corpo, na mente e nas atitudes. Justamente por isso, os adolescentes ficam mais vulneráveis às experiências que o mundo oferece. É o momento de descobertas e da quebra de tabus. Muitos desafios para enfrentar e, ao mesmo tempo, a necessidade de aceitação pelo grupo torna-se gritante.

Entre a saída da infância até a entrada na fase adulta, muitas coisas pulsam dentro dos jovens: rebeldia, ideias opostas aos pais, a necessidade de se encontrar, a descoberta de novos horizontes. E dentre tantas novidades, talvez a maior delas seja a descoberta da prática sexual.

Hoje é fato que nossos jovens iniciam a prática sexual cada vez mais cedo. Estudos confirmam que muitos tiveram sua primeira relação sexual entre os 9 e 10 anos. Chocante? Não, para um país aonde o excesso de liberdade e a banalização da sensualidade feminina chegam à beira do caos. Mas, o agravante nessa história é, justamente, a gravidez que ocorre no meio deste turbilhão de emoções e novas experimentações.

A maioria de nossas adolescentes engravida por falta de informação, um dado ilógico, se pensamos na época em que vivemos, já que o acesso à informação é mais fácil do que há alguns anos atrás. Embora os meios de comunicação propaguem campanhas sobre a importância do uso de preservativos (principalmente no carnaval), ainda encontramos muitos jovens que acreditam que determinados eventos só ocorrem na porta ao lado.

Devemos levar em consideração que a falta de informação também vale para a família, que muitas vezes prefere se calar a ter que tratar de assuntos tão complicados como a sexualidade e todos os fatores atrelados a ela. Seja por vergonha, por desconhecimento, por acreditar que não é a hora adequada ou por pura falta de tato, muitos pais adiam uma conversa mais franca e esclarecedora sobre o assunto. Deixando, com isso, que seus filhos busquem informações em lugares/meios nem sempre seguros e corretos.

Ainda que seja um dos menores problemas causados pela falta do uso de preservativos (já que nossos jovens também ficam expostos às doenças sexualmente transmissíveis – DST’s), a gravidez na adolescência é enfrentada com muita dificuldade (com raras exceções!). Não só pelo fato do despreparo das meninas, mas também pelas condições sociais em que vivem (em sua maioria). No Brasil, por exemplo, onde não há controle de natalidade nem um programa de planejamento familiar, a gravidez precoce torna-se um problema social difícil de ser solucionado.

Mas, esta questão não é um privilégio do Brasil, em diversas partes do mundo parece haver um avanço nos índices de gravidez na adolescência. A Inglaterra, por exemplo, possui um dos maiores índices de gravidez entre as adolescentes da Europa. As estatísticas indicam que 40 entre mil meninas ficam grávidas e acabam optando pelo aborto (a maior parte deles clandestino). Por isso, o governo inglês vem desenvolvendo políticas de prevenção e apoio aos adolescentes, na tentativa de reduzir os dados. No Brasil, o Ministério da Saúde criou alguns programas de apoio, como a Caderneta de Saúde do Adolescente* que oferece orientações sobre responsabilidade, adolescência, alimentação saudável, sexualidade, entre outros temas.

Fatores que estimulam a gravidez precoce

Encontrar um fator determinante para a gravidez precoce é difícil, já que ela pode estar relacionada a diversas situações, indo de estrutura familiar à baixa autoestima. Existe também a questão cultural; em várias partes do país a gravidez representa uma subida no status social dentro da própria família (característica marcante no norte do Brasil). Muitas têm um histórico familiar de gravidez precoce. Mas, não podemos negar que com a gravidez precoce toda a família fica abalada, e por isso, o diálogo, o apoio e a orientação são fundamentais para diminuir os riscos de um aborto ou quadro psicológicos agravados, como a depressão.

Quando pensamos nas meninas, devemos levar em consideração que elas não possuem maturidade emocional ou financeira para levar a gravidez adiante. Em muitos casos, os meninos fogem da responsabilidade, deixando tudo a cargo delas. É diante deste quadro que muitas adolescentes acabam por fazer escolhas equivocadas por falta de apoio, como: fugir de casa, optar pelo aborto, deixar seus estudos ou abandonar a criança por não saber o que fazer com ela.

Pesquisas realizadas recentemente indicam que mais de 10% das adolescentes grávidas dão a luz a bebês abaixo do peso e realizam partos prematuros. Isto ocorre, principalmente, em função do medo que muitas delas sentem em assumir a gravidez para a família e por essa razão retardam o início do pré-natal.

Além disso, as pesquisas informam que a cada 18 minutos, uma menina de 10 a 14 anos dá à luz uma criança no país. Muitas dessas meninas dizem que a gravidez foi desejada, mas ao serem questionadas se suas filhas poderiam ser mães na adolescência, elas dizem “Não, de jeito nenhum”.

É evidente que a gravidez precoce é um problema que precisa ser analisado pelo governo e pela sociedade como um todo. Não podemos fechar os olhos para esta questão. Independente de classe social, nossos jovens necessitam de orientação e de uma conversa mais franca e aberta sobre o assunto.

Precisando de ajuda? Procure uma Casa do Adolescente

O Estado de São Paulo há 20 anos investe no Programa Casa do Adolescente, hoje conhecido como Programa Saúde do Adolescente. São vinte e três casas espalhadas pelo Estado, que oferecem atendimento integral e gratuito a quem tem entre 10 e 20 anos. A equipe que atende nessas casas é multidisciplinar, como clínicos, pediatras, ginecologistas, psicólogos, entre outros. Eles também estão disponíveis para tirar dúvidas dos adolescentes sobre o corpo, a sexualidade e a gravidez precoce.

Só na capital temos sete casas, distribuídas nos seguintes bairros: Pinheiros, Grajaú, Jardim Ângela/M’Boi Mirim, Itaquera/Dom Bosco, Jabaquara, Heliópolis e Parque Novo Mundo. Maiores informações sobre o atendimento, basta acessar o link:
http://juventude.sp.gov.br/portal.php/viva-saudavel/casa%20juventude

Casa do Adolescente de Heliópolis AME Heliópolis Avenida Almirante Delamare, 1534 – tel: (11) 2065-1550

Casa do Adolescente do Jabaquara Parque Estadual Fontes do Ipiranga Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 – tels: (11) 5588-4797 / 5588-2669 E-mail: casantos@sp.gov.br

Casa do Adolescente Grajaú Entortando Circo Escola Rua Ezequiel Lopes Cardoso, 333 – tels: (11) 5927-3362 / 5925-4015 E-mail: casaadolescente@hotmail.com

Casa do Adolescente Itaquera / Dom Bosco Obra Social Dom Bosco Avenida do Contorno, s/n (próximo ao Metrô Itaquera) – tels: (11) 6205-8621 / 6179-1438

Casa do Adolescente Jardim Ângela / M’Boi Mirim Rua dos Clarins, 99 – tels: (11) 5831-5662 / 5834-2269 (ramal 24) E-mail: casa.adolescentembur@gmail.com

Casa do Adolescente Parque Novo Mundo Rua Brasílio Pinto de Almeida, 210 – tels: (11) 2954-5123 / 2967-4760

Casa do Adolescente Pinheiros Rua Ferreira de Araújo, 789 – tel: (11) 3819-2022


*Para ter acesso à Caderneta de Saúde do Adolescente, basta acessar qualquer um dos links abaixo:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/cardeneta_meninas.pdf http://www.brasil.gov.br/sobre/saude/saude-da-crianca-e-do-adolescente/gravidez-na-adolescencia

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