Hora de tirar a chupeta! Quem sofre mais: mãe ou filho?

chupet

Por: Ana Paula C. B. Bueno


Nunca ouvi tantos imperativos na minha vida como agora, aliás, desde o momento em que engravidei eles estão presentes no meu dia a dia. “Você tem que comer fígado de boi”, “tem que comer mais, porque tem que alimentar o bebê”, “tem que desfraldar”, “não entre na água quando ela estiver muito quente”, “não tome chá mate, é abortivo”. Esses são só alguns exemplos dentre tantos que já ouvi na minha jornada heroica de mãe.


Tenho duas princesinhas, a mais velha de 3 anos e minha pequena de 1 ano. Imagine só quantos “tem que” eu ouço desde o início da minha primeira gravidez... Affffff!!! Ok... Sei que a sabedoria dos mais velhos só nos tem a acrescentar, que nossas amigas só querem o nosso melhor e que as palpiteiras... aahh... essas querem mais é falar mesmo!!! [rsrs]. Bom, mas depois de tantos “tem que fazer isso” ou “não faça aquilo” resolvi abrir o jogo e falar!!!


Minha filha mais velha sempre teve uma relação de muito amor com sua chupeta. Foram apresentadas, logo na maternidade, pelo meu querido GO e com minha autorização. Sem receios, acatei a sugestão dele. Lembro até hoje do barulhinho da primeira chupada na sua chupeta cor de rosa!!! “Ufa...” - pensei. Já tinham me falado que para o meu bem ela “tinha que pegar a chupeta”. Então... missão cumprida!!!


E sua função, de fato, foi uma benção para me ajudar naqueles momentos de choro sem fim. Minha filha nasceu manhosa, com refluxo gástrico, cólica... e choros, hein?! Aahh... choro NÃO... gritos... Sim, ela gritava!!!!


Com o tempo esse quadro foi melhorando, nós - papais de primeira viagem - fomos nos acalmando e ela crescendo com sua chupeta e seu “neném” - um ursinho que deve ter sido reconstituído umas 15 vezes ao logo desses anos.


Sono, dor, saudades, carência, lá estava a dupla “chupeta e neném”. Pois bem, ao passar do tempo, fui ouvindo indicações de especialistas e “certezas” de palpiteiras que diziam que “tem que tirar a chupeta da sua filha”. Pra ser sincera ignorei no começo, afinal, minha filhinha frágil precisava desse apoio emocional. Mas, ouvia tanto esse “tem que” que comecei a me angustiar com a possibilidade de estar causando algum mal para ela por não tirar sua chupeta.


Refleti bastante e confesso que eu tinha mais dificuldade em me separar da chupeta e do neném do que minha própria filha. Então, como estávamos perto do Natal resolvi pedir ajuda ao Papai Noel e comecei a falar que, por ela ser uma menina que cresceu, precisaria entregar a chupeta ao Papai Noel, pois ele a levaria a outros bebês.


No começo foi confuso, íamos sempre “visitar” o Papai Noel (e isso aconteceu algumas vezes). Ele dizia que ela ganharia um presente no dia de Natal, se ela entregasse a chupeta para ele. Mas, como fazê-la entender se ainda não tinha noção de tempo?


Quanto mais eu falava, mais ela se angustiava e recuava. Conversei com a orientadora da escola e ela me disse que uma vez entregue, a chupeta não poderia retornar. Caso ela não estivesse preparada, poderíamos adiar para o Coelhinho da Páscoa.


Voltei para casa com um sorriso no rosto, afinal NÓS tínhamos ganhado uma possibilidade de NÃO TER QUE! Com essa “permissão” relaxei e não falei mais nada sobre isso.


Minha última cartada, antes de pedir ajuda ao Coelhinho, foi na noite do Natal – quem disse que as mães desistem facilmente? [rsrs]. Fomos a um restaurante, no qual eu já sabia que o Papai Noel estaria lá. No caminho, disse à minha filha que aquele era o dia em que o Papai Noel viria buscar sua chupeta para dar aos nenéns e que ela ganharia um presente pela sua “generosidade”. Antes de sairmos de casa, pedi para que ela abrisse as janelas (moramos no 23º andar... nada de chaminés por aqui) para que o Papai Noel pudesse entrar com o presente.


Para minha surpresa, quando o bom velhinho chegou ao restaurante, minha filha correu para pegar a chupeta e entregá-la. Fiquei emocionada, mas gelada... “E agora???? Minhas noites estariam fadadas ao terror?... Ainda bem que deixei algumas em casa!!!”.


Nos primeiros dias, ela sentiu falta da “tete e do neném”, mas sempre a lembrava que ela havia crescido e que agora não precisava mais de sua chupeta. No lugar da velha companheira, passei a fazer massagens e carinhos, acompanhados de muitas cantigas. E assim ela e eu fomos segurando a barra, aguentando a saudades e nos superando a cada dia.


Hoje, ela não fala mais nada sobre o assunto. Eu tenho a impressão que ela amadureceu uns dois anos nesse quase um mês. De minha parte, fui sempre reforçando como ela estava sendo corajosa e forte por conseguir ficar sem sua chupeta!!!
Resolvi compartilhar com vocês essa experiência nada fácil de separação, por considerá-la um momento crítico na vida de pais e filhos.


Aproveito a ocasião para lembrá-los que as crianças têm um tempo só delas, um tempo de crescimento, amadurecimento e que grandes decisões devemos tomar juntos: mãe, pai, criança. O mais importante é ouvir nosso coração e nossa intuição. São eles que nos fazem olhar para aquilo que temos. Que nos conduzem para onde nossas crianças podem e conseguem caminhar.

Não devemos nos preocupar com o que os outros vão pensar ou dizer. Respeitar o tempo de cada um (inclusive o nosso) fará toda a diferença para que esses serezinhos tenham um mundo a explorar e uma vida inteira a construir, fazendo tudo no seu próprio tempo!

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