Trabalho x Maternidade

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Por: Joyce Trajano

(matéria sugerida por nossa amiga Lilian Fernandes)


Talvez esta seja a maior preocupação de todas as mães: como conciliar maternidade e trabalho?

Quando a Vicky era bebê precisei voltar ao trabalho um pouco antes do final da licença maternidade. E garanto que esta foi a parte mais difícil... deixar minha pequena para trabalhar (e para piorar...ainda estava terminando a faculdade). Graças a Deus tive um anjo em minha vida: minha mãe, que sempre me deu o maior apoio. Mas, mesmo assim, o sentimento de culpa era inevitável. Trabalho e estudos tomavam meu tempo... um tempo que poderia ser dedicado a minha pequena.

Mas, as exigências da vida moderna nos obrigam a seguir em frente e criar maneiras de nos adaptarmos às situações cotidianas. O que mais me ajudava era o fato de que tudo o que fazia era em função da Vicky. Quando terminei a faculdade, as coisas ficaram mais fáceis, pois ganhei um tempo a mais para ficar com a minha pequena princesa. E como eram bons esses momentos.

Mas, sinto pelo fato de ter perdido algumas coisas pelo excesso de trabalho: as primeiras tentativas de andar, o primeiro engatinhar, a primeira vez que falou... Em compensação sei que esses momentos foram vividos pela melhor pessoa que poderia ter acompanhado a minha filha: a vovó.

Pensando nas dificuldades que muitas mães passam para retornar ao trabalho, resolvi escrever este artigo com algumas informações que considero importantes, desde questões como com quem deixar a criança até seus direitos garantidos por lei. Espero que todas elas sejam úteis e que lhes ajudem nessa fase tão difícil da vida de uma mamãe: a retomada da carreira profissional.

Segundo pesquisas realizadas, 50% das mães de bebês trabalham fora de casa. Isto ocorre por diversas razões: necessidades financeiras, atualização da carreira, crescimento profissional, entre outros.

Com a emancipação da mulher, a figura da dona de casa mudou. Além das tarefas domésticas, as mulheres ainda trabalham fora de casa (em muitos casos, chegam a ser a única fonte de renda da família); e a relação entre mães e filhos mudou. Aquela mulher que se dedicava exclusivamente aos cuidados com a família praticamente se extinguiu. Mas, com a evolução vieram os problemas e as mulheres ainda têm muita dificuldade em conciliar o tempo com a divisão que cada papel exige em suas vidas.

Em função dessas dificuldades muitas crianças desenvolveram doenças como: stress, depressão, hipertensão, úlcera, etc. (todas elas, doenças de adultos). Pronto! Isto já foi o suficiente para muitas mães sentirem-se culpadas.

Mas, como é possível aliar seu desejo de sucesso profissional à maternidade?

É possível voltar ao trabalho e manter uma relação saudável com os filhos. Lógico que este sucesso dependerá da dedicação e da organização da mamãe.

Alguns cuidados precisam ser tomados para que o retorno ao trabalho ocorra de maneira tranquila. Antes de qualquer coisa é preciso aprender a lidar com a ansiedade e com a insegurança de deixar o filho aos cuidados de outra pessoa ou de uma instituição (como creches e escolinhas). Ter a certeza de que voltar ao trabalho é essencial para seu desenvolvimento profissional e até mesmo para sua satisfação pessoal, é o primeiro passo para superar esta fase.

Outro passo importante é definir previamente com quem a criança ficará durante o período de trabalho da mãe. De qualquer maneira é bom saber que independente de quem fique com a criança, a mãe pode sempre rever a decisão e mudar, caso seja necessário. O importante é garantir o bem-estar do bebê e a tranquilidade dos pais.

No caso da contratação de profissionais é muito importante realizar uma pesquisa em busca de referências, e fazer a contratação pelos menos um mês antes do término da licença maternidade para que a profissional possa se adaptar aos costumes e regras da família.

Já no caso de optar por escolas, também é importante pesquisar e pedir referências pelo menos um mês antes do final da licença, para que as devidas observações possam ser feitas, como formação dos profissionais que estarão em contato com a criança, proposta pedagógica da instituição, entre outras.

Acompanhar o período de adaptação da criança na escola/creche é fundamental. Caso a aceitação não ocorra de maneira positiva, o melhor a fazer é procurar outra instituição.

Se a escolha for por alguém da família é importante deixar claro quais são os limites e princípios educacionais que devem ser seguidos, para que não haja discordâncias futuras.

Conheça seus direitos

Resolvida a questão de com quem o bebê ficará, chegou o momento de descobrir quais são seus direitos perante a empresa:

Toda gestante e lactante tem direito à estabilidade de emprego desde o momento da concepção até cinco meses do pós-parto (CF no seu artigo 10 – inciso II, letra B e CLT art. 391).

Também é assegurado o direito a licença maternidade - CF no seu artigo 7 – inciso XVIII e CLT art. 392 e 393 – tema já tratado na matéria “
Licença maternidade – conheça seus direitos”.

É assegurado o direito de local apropriado para permanência de seu filho durante a jornada de trabalho (CLT art. 389, art. 397, art. 399 e art. 400). Direito a licença paterna, mediante nascimento dos filhos - CF no seu artigo 7 – inciso XIX.

Direitos da mãe estudante (Lei 6202/1979): as mães que se encontram na condição de estudantes tem o direito de obterem suas notas mediante trabalhos realizados em casa.

Além disso, as mães que trabalham e amamentam nos primeiros seis meses têm direito, por lei, a duas pausas de meia hora cada uma para amamentar, ou sair uma hora mais cedo do trabalho.

Não à culpa!

O mais importante nesta transição é a mamãe não se sentir culpada por retornar ao trabalho. Sempre ter em mente que a qualidade do período em que se passa com o pequeno (ou pequena) é mais importante do que a quantidade de horas. Brincadeiras, massagens e conversas (mesmo com os bebês, pois apesar de não entenderem o que está sendo dito, eles sentem a energia que está sendo transmitida) farão toda a diferença na relação entre mães e filhos.

É preciso aceitar o fato de que se é mãe e provedora da família, ao mesmo tempo; e que é possível conviver bem com os dois papéis, sem culpa ou pecado. Voltando a trabalhar ou ficando em casa, tenha sempre em mente que seja lá qual for a escolha feita, com certeza ela será sua melhor decisão.


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